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Salários atrasados, greve e incerteza: presidente do Goiás diz que não há previsão de pagamento admin

A crise financeira do Goiás Esporte Clube continua sem solução e ganhou novos desdobramentos na reta final da Série B do Campeonato Brasileiro. Em entrevista ao jornal O Popular, o presidente interino...

A crise financeira do Goiás Esporte Clube continua sem solução e ganhou novos desdobramentos na reta final da Série B do Campeonato Brasileiro. Em entrevista ao jornal O Popular, o presidente interino do clube, Munir Calixto Júnior, reconheceu que não existe uma previsão para quitar os salários atrasados de jogadores e funcionários.

O dirigente admitiu as dificuldades para conseguir recursos e viabilizar um empréstimo de R$ 11,4 milhões que permitiria amenizar as pendências financeiras. “É difícil.

Quando você não tem dinheiro, é difícil”, declarou Munir, que permanece à frente do Verdão até o encerramento do mandato, em dezembro, quando o clube terá uma nova administração para o triênio 2027/2028/2029.

O Goiás acumula três meses de salários em carteira (CLT) e três meses de direitos de imagem em atraso com os jogadores, pendências que completarão quatro meses na próxima segunda-feira.

Além disso, o clube deve sete premiações por resultados conquistados, conhecidas como “bichos”, cada uma no valor de R$ 155 mil, totalizando R$ 1,085 milhão. A situação também atinge os funcionários, que estão com um mês de salário atrasado, período que chegará a dois meses na segunda-feira.

Apesar das cobranças, a diretoria ainda não apresentou um calendário concreto para regularizar os pagamentos.

A dificuldade para obter recursos foi detalhada pelo próprio presidente interino. Munir Calixto afirmou ao O Popular que o Goiás já cumpriu as exigências documentais para contratar o empréstimo, mas ainda aguarda uma resposta definitiva da instituição financeira.

“O empréstimo, a gente assinou, assinou nota promissória, assinou tudo. Está ok, toda a documentação que eles pediram.

O banco não deu negativa nenhuma. Eles só falaram que está em andamento”, explicou.

Na sequência, o dirigente demonstrou insatisfação com a situação e com as cobranças recebidas: “Aí vem a Força Jovem te cobrar. Como é que você faz se o banco não está querendo emprestar o dinheiro?

Como é que você faz?”

A insatisfação dos jogadores provocou uma paralisação das atividades na quinta-feira (5). O elenco decidiu não treinar em protesto contra os atrasos salariais e participou de uma reunião com representantes da torcida organizada Força Jovem e integrantes da diretoria esmeraldina.

O encontro contou com a presença de Munir Calixto, do diretor financeiro Leonardo Pacheco e do candidato à presidência do Goiás, Geraldo Neto, que acompanhou a conversa sem se manifestar. Apesar das explicações apresentadas, os atletas deixaram a reunião sem uma data definida para receber os valores devidos.

O presidente da Força Jovem, Kioma, relatou que os problemas financeiros ultrapassam os salários atrasados e já comprometem o funcionamento do centro de treinamento. Segundo ele, faltam até itens básicos para o atendimento aos atletas.

“Está faltando coisa básica, uma manteiga, um distribuidor de pão, um fornecedor. O clube hoje está literalmente às traças”, afirmou.

O representante da organizada também destacou a indignação dos jogadores com as sucessivas promessas de pagamento que não foram cumpridas, embora tenha ressaltado que o elenco permanece comprometido com a disputa pelo acesso à Série A.

Apesar da ausência de uma data imediata para os pagamentos, Munir Calixto afirmou, segundo o O Popular, que a diretoria dispõe de garantias para quitar os valores devidos ao elenco até o encerramento do ano. Essa previsão, entretanto, ainda não havia sido repassada aos atletas.

O dirigente reconhece que existe um descompasso entre o prazo considerado viável pela administração e a urgência dos jogadores, que cobram o recebimento dos vencimentos antes dos compromissos decisivos da Série B.

O clube também acumula um déficit contábil superior a R$ 21 milhões entre janeiro e setembro de 2026, conforme os balancetes divulgados no Portal da Transparência.

Mesmo diante da grave crise financeira, o Goiás segue vivo na disputa pelo acesso à elite do futebol brasileiro.

A equipe comandada por Mozart Santos ocupa a sétima colocação da Série B, com 55 pontos, e vem de uma sequência de cinco partidas sem derrota, sendo quatro vitórias, incluindo o triunfo por 2 a 1 sobre o CRB, concorrente direto na luta pelos playoffs.

Restando duas rodadas para o encerramento da primeira fase, o Verdão recebe a Ponte Preta neste domingo (8), no Estádio Hailé Pinheiro, e depois enfrenta o Sport, na Ilha do Retiro.

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Fonte: Diário de Goiás

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