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Goiano de esquerda: quem é o dono do perfil que atingiu 1 milhão de seguidores e foi fundamental para eleger deputado em Goiás admin

A mobilização digital que levou o presidente Lula (PT) à reeleição no segundo turno também teve DNA goiano. Para além das manifestações que colocaram milhares de pessoas nas ruas, uma onda digital...

A mobilização digital que levou o presidente Lula (PT) à reeleição no segundo turno também teve DNA goiano.

Para além das manifestações que colocaram milhares de pessoas nas ruas, uma onda digital tomou conta das redes sociais a partir do trabalho não só de políticos, mas também de cidadãos comuns que jamais ocuparam espaço num parlamento.

Este é o caso de Zé Diogo, que se apresenta no mundo digital como ‘goiano de esquerda’. A chamada é proposital, claro. Políticos goianos de direita, como o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), gostam de repetir o mantra que, em Goiás, o “PT não se cria”. Zé Diogo mostra o contrário.

Com vídeos que rebatem discursos bolsonaristas, reagem a notícias falsas e mobilizam a base eleitoral petista, o goiano de Bonfinópolis chegou a 1 milhão de seguidores.

Para efeito de comparação, os petistas goianos – com mandato – com maior número de seguidores são a deputada federal Adriana Accorsi (151 mil), o deputado estadual Fabrício Rosa (141 mil) e o deputado federal Rubens Otoni (129 mil).

Mesmo num estado dominado pelo discurso da direita – onde políticos como o senador eleito Gustavo Gayer (PL) tem mais de 3,5 milhões de seguidores -, Zé Diogo conseguiu colocar-se como porta-voz da esquerda goiana.

Ajudou a mobilizar para as manifestações, integrou o Exército do Lula e ainda atuou muito fortemente na eleição de Fabrício Rosa para a Alego, com mais de 81 mil votos.

Diogo atuou na campanha do deputado estadual eleito e, depois desta experiência, diz estar pronto para entrar na política.

Confira a entrevista na íntegra abaixo:

Diário de Goiás: Você é filiado ao PT há quanto tempo?

Zé Diogo: Não sou filiado ao PT. Tenho ideologia muito forte com o PT. Minha família inteira é petista. Cresci dentro da política petista. Sou filho de políticas públicas. Mas não sou filiado. A ideia de filiação surge muito forte quando você está na política. Eu vou me filiar futuramente.

DG: O combate que você fez ao conteúdo bolsonarista foi o que te deu assim projeção. Você tem uma linha ideológica muito bem clara. Essa linha, esse combate, foi o que te projetou para 1 milhão de seguidores?

Zé Diogo: O trabalho com internet faço desde a eleição passada. A gente começa a crescer nessa projeção contra o bolsonarismo, mas na eleição de agora foi que veio o boom.

Eu estava com 100 mil seguidores em fevereiro. Venho construindo isso no Instagram.

Tinha só Tik Tok antes. O combate ao bolsonarismo, nesta época de eleição, que trouxe a notoriedade nesse âmbito da política.

DG: Você contribuiu para a eleição do Fabrício Rosa. Foi uma votação surpreendente. Você é o Janones do Fabrício Rosa…

Zé Diogo: O trabalho do Fabrício sempre me encantou muito. Antes de conhecê-lo, já votava nele.

As políticas que ele traz, as pautas que defende. É uma coisa que me atrai muito antes de conhecê-lo.

No ano passado surgiu o convite para entrar na assessoria dele, antes da campanha para deputado. A gente entrou na campanha de redes.

Hoje sabemos que redes e rua são igualmente importantes. Acompanhamos de perto a migração da campanha do Fabrício, além das pautas que ele defende.

A gente construiu uma rede social forte, que com certeza agregou a essa vitória. Foi o deputado (estadual) de esquerda mais bem votado da história de Goiás.

DG: Considerando que existe esta ideia de que Goiás é muito mais bolsonarista e de direita, como um esquerdista chegou a 1 milhão de seguidores?

Zé Diogo: É inacreditável. A gente vive com essa teoria, que eles pregam, que a esquerda aqui não se cria.

Até o (ex-)governador Ronaldo Caiado fala isso. Mas a gente vê que não é assim.

Na última eleição, tivemos o Lula com mais de 40% dos votos. E agora, em 2026, Goiás foi o que mais cresceu em porcentagem (do primeiro para o segundo turno).

Não é uma história tão bem desenhada como eles gostariam. A esquerda, sim, é forte no estado.

Na próxima legislatura da Alego teremos quatro deputados estaduais. Tivemos votações expressivas do Fabrício, da Adriana.

É uma história que eles vendem, mas não é uma verdade total. Vimos as ruas lotadas em Goiânia, com manifestações maiores que da direita.

Construímos esse número com muito trabalho, muita informação, muita veracidade. Um trabalho bem respeitado, com fontes.

Trago isso como uma das minhas prioridades, a verdade. Não trago desinformação, pesquiso tudo antes de postar.

Não tenho equipe grandiosa. Sou eu, meu celular, meu computador.

E sigo assim. É inteligência, informação e um trabalho com responsabilidade.

Essa é a dica que dou para quem quer entrar nesse meio. As pessoas têm essa visão de que não vão conseguir, que aqui não se cria, que é perigoso.

Mas o que eles querem é que você não apareça, não tenha voz e não chegue onde você quer chegar.

DG: Você não se intimida?

Zé Diogo: Não me intimido. Nossa voz tem que ser replicada. Não podemos ter medo de dar nossa opinião, mostrar os fatos, desmentir tudo que eles fabricam de mentira. Eles querem que nos calemos. E não podemos nos calar. Isso meu diferencial na rede social.

DG: Você, com esse alcance na rede social, e numa eleição que tivemos tamanha valorização digital, como se a esquerda tivesse ocupado o território digital, é um case do estado de Goiás dessa atuação?

Zé Diogo: O movimento do segundo turno é grandioso. Tomou ruas e redes.

Vimos pessoas que não tinham poucos seguidores, mas usaram as redes sociais na campanha, como se fosse um cabo eleitoral. Considero que meu trabalho, como o de tantas outras pessoas, foi essencial para a vitória do presidente Lula.

A voz das pessoas na internet foi tão importante quanto as ruas. O combo disso fez uma vitória excelente.

Tomamos as redes sociais de forma que nunca vimos. Isso abre espaço para pensarmos nas próximas eleições.

A esquerda perdia para a direita nas redes sociais. No segundo turno, mostramos que conseguimos também assumir esse primeiro lugar nas redes.

A força dos influencers, a força do Janones e da comunidade mostrou que conseguimos tomar redes e ruas quando a direita achava que o espaço era só dela.

DG: Como levar o aprendizado desta para as próximas eleições? Ou é para o dia a dia?

Zé Diogo: Para o dia a dia. A gente venceu uma batalha, mas tem muitas lutas pela frente.

As redes sociais são um caminho para trabalharmos. Tenho visto que o Lula muda sua trajetória nas redes sociais.

Ele vai estar mais ligado nas redes. Nosso trabalho vai ser primordial para continuar alimentando as pessoas.

Será um trabalho de informação e de recrutamento dessas pessoas para acompanhar nosso trabalho. Fazer das nossas redes um local em que se sintam seguras e informadas.

E que elas façam parte de um exército. É um exército que combate as fake news, que informa e faz as pessoas estarem naquele lugar.

DG: Você falou de exército, pelo visto estava no Exército do Lula, não é?

Zé Diogo: Sim. Trabalhei muito no exército do Lula.

DG: Essa figura Exército do Lula como canal de comunidade enganou o algoritmo?

Zé Diogo: Com toda certeza. O algoritmo era predominantemente favorável à direita.

Mas a força que veio da esquerda, fez o algoritmo mudar, travar de alguma forma. O crescimento foi tão grande que sentimos uma onda de boicote.

Onde pessoas relatavam que não conseguiam me seguir, compartilhar meus vídeos. Não foi só comigo.

Com vários influenciadores. Essa onda de boicote veio de um crescimento nunca visto da esquerda nas plataformas.

Conseguimos ganhar da Meta, de um presidente do TSE e vários fatores contra nós. Foi uma vitória contra o boicote.

DG: Imaginar há um tempo que seria possível enganar o algoritmo, direcionar a busca orgânico era algo inimaginável. Ou seja, vocês hackearam o sistema?

Zé Diogo: Deixamos o sistema sem ação. O sistema não esperava uma onda tão forte. Derrubamos o sistema. Passamos por cima de um sistema voltado a favorecer apenas um lado, que tinha força por ter o sistema ao lado. A única peça que eles têm e o jogo que podem fazer é limitar nossa voz e evitar que chegue noutras pessoas.

DG: Chegando a esse 1 milhão de seguidores, é natural que você vá enfrentar o desafio de uma eleição?

Zé Diogo: Se você me fizesse essa pergunta no início do ano, minha resposta seria não. Quando comecei, não esperava estar falando com você aqui hoje, não esperava ter 1 milhão de seguidores.

Comecei analisando pesquisas eleitorais. Fiz um vídeo, dois vídeos.

Meu vídeo explodiu. Como eu não queria que me olhassem, eu tranquei minhas redes sociais depois que o primeiro vídeo viralizou.

Eu não tinha pretensão nenhuma de ser um político ou um influencer. Com tanto ódio, a gente fica com medo de ser atacado e a gente para.

Com o passar do tempo, fui fazendo mais vídeos e chegaram as pessoas que começam a te abraçar, te apoiar e te dar palavras de incentivo. Uma comunidade foi crescendo.

Fui para o Instagram, ali comecei a ter um apoio maior ainda. Começaram a chegar pessoas que sempre admirei dentro da política.

Isso alerta para que seu trabalho chega para pessoas que você sempre admirou, ou seja, seu trabalho está certo. Fui convidado para ser deputado nesta eleição, mas sempre tratei a política com muita responsabilidade.

Política não é um cargo. Ela não é um emprego.

Para você estar na política, tem que saber o mínimo sobre como trabalhar, o que fazer e entender. Recebi o convite, agradeci, mas não aceitei, pois não estava preparado.

Aceitei o convite de ser assessor, entrei na política para entender como funciona. Hoje falo que tenho pretensão para ser político, na próxima eleição para vereador.

Não é uma coisa que eu quero. É o que vejo nas ruas, nas mensagens, é o abraço que recebo e o carinho das pessoas que me pedem para ser eu ser vereador, pedindo por renovação, pedindo por uma pessoa que lute por ela.

As pessoas estão depositando em mim uma esperança, entendendo que posso ser voz delas. E quando eu penso em entrar na política é para isso, ser um porta-voz das pessoas.

Então hoje eu tenho pretensão de disputar a próxima eleição para vereador.

DG: Pode-se dizer que você é um dos personagens da renovação da esquerda em Goiás?

Zé Diogo: É o que chega para mim. Eu falo o que as pessoas trazem para mim.

É a renovação. Elas me dizem que precisam de uma renovação, de uma força jovem, que lute, combate e esteja nas redes sociais, que é forte para nossas campanhas.

Acredito que a política precisa de renovação, sim, que ela precisa passar por gente nova e que tenha força para trabalhar. Os políticos que já estão ali são super importantes.

Eu os admiro e sei do trabalho que fizeram de abrir as portas para estarmos aqui hoje falando. Tenho admiração, mas creio que a política é feita de renovação.

DG: Nesse período eleitoral, você sofreu ameaças?

Zé Diogo: Ameaça chega sim. E de uma forma muito brutal.

Estou com mensagens aqui de pessoas que falam de morte, de tortura. Mas não é maioria, nunca foi.

Recebo muito carinho, muito abraço, muita palavra de afeto. Quando chegam essas mensagens, a gente meio que vê aquilo como ‘nossa, a sociedade está doente’.

Mas as mensagens que recebo de apoio e carinho são muito maiores.

DG: Chegou a 1 milhão, o objetivo agora é dobrar a meta?

Zé Diogo: O meu papel nunca foi chegar a 1 milhão de seguidores. Nem imaginei chegar a isso.

Não tenho equipe, não tenho apadrinhamento político e nem sou filiado a um partido. Cheguei na rede social dando minha opinião.

A minha opinião, simples, clara e objetiva, chegou em muitas pessoas, não só em Goiás, mas no Brasil inteiro. Vim de uma família simples, de uma cidade pequena.

Sou de Bonfinópolis. Meu pai e minha mãe têm o ensino fundamental, mas me ensinaram coisas que nenhum doutorado me ensinariam, como políticas públicas, consciência de classe.

Meus pais são as pessoas mais inteligentes que conheci. Tudo que eu falo são meus pais que me ensinaram.

Chegar num patamar desse não era o que eu imaginava. Quando cheguei em 10 mil seguidores, já foi de uma alegria estrondosa.

Hoje chego em 1 milhão, mas com responsabilidade. O olha é de 1 milhão de pessoas sobre meu conteúdo.

A responsabilidade é maior para trazer um conteúdo firme, forte e verdadeiro. Quero crescer ainda mais.

Esse trabalho é bem feito, informativo e que chega em várias pessoas. Vamos crescer.

Quero chegar a 2 milhões, a 3 milhões e ser um porta-voz em Goiás e no Brasil.

O post Goiano de esquerda: quem é o dono do perfil que atingiu 1 milhão de seguidores e foi fundamental para eleger deputado em Goiás foi publicado primeiro em Diário de Goiás.

Fonte: Diário de Goiás

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